LOADING

Amamentação – uma história de problemas e sucesso (em muitos capítulos)

Amamentação – uma história de problemas e sucesso (em muitos capítulos)

by Holística Realista fevereiro 12, 2016

Esse é um tema à parte.
Sempre achei que a natureza se encarregaria de tudo. O bebê instintivamente procura o seio, você oferece em livre demanda (sempre que o bebê chorar de fome), ele mama e vivemos felizes para sempre.
Achei que o perrengue seria se acostumar com expor o peito em público o tempo todo ou a disponibilidade constante ao bebê.
Ah, se tivesse sido só isso.
Vou relatar aqui como foi (e está sendo) para mim.

No momento em que comecei a escrever esse post minha bebê tinha 2 meses. Hoje ela vai fazer 8 em duas semanas.  Já adianto que não sou um caso “normal”, geralmente a essa altura do campeonato as mães já se resolveram na amamentação (com 2 meses). Eu ainda estava bem longe disto, infelizmente.

Tudo começou depois do parto. Apesar do lindo parto natural (veja aqui meu Relato de Parto) e a valiosa primeira hora de vida com contato pele-à-pele, ela não mamou. Ficou quietinha quase dormindo no meu peito.

Após subirmos fora do delivery room onde ela nasceu, eu fui pro quarto e ela ia dar uma “passadinha” no berçário.

Fizemos plano de parto solicitando o mínimo de intervenções possíveis no nascimento. Tínhamos uma equipe humanizada mas optamos por não ter um Pediatra particular, por questão de custo. Entendiamos que a necessidade pediátrica na hora do parto poderia ser conseguida com um plantonista do hospital. O fato de estarmos em peso com equipe humanizada, sem intervenções farmacológicas (minha única picada de agulha foi depois que ela nasceu: coleta de sangue para tipagem), usando a banheira do delivery room etc, em um hospital que aceita bem o parto humanizado, quando é assim eles já perguntam antes de fazer qualquer coisa se “pode”.

Realmente todos os nossos pedidos no que diz respeito ao nosso Plano de Parto foram atendidos. Corte tardio do cordão umbilical, contato pele-à-pele na primeira hora de vida, não pingar Nitrato de Prata nos olhinhos, etc.

Mas ela nasceu “cansadinha”. Isso quer dizer, com desconforto respiratório. Nada grave MAS… ela teria que ficar no oxigênio e sob observação. Por 24 horas.

Separação

Aí meu mundo começou a cair. Como assim, eu quero amamentar! Eu quero meu bebê! Mas não teve jeito. Que mãe forçaria uma Pediatra de um ótimo hospital a tirar o bebê à força do oxigênio que foi considerado necessário?

OK, aceitei. Mas não parou por aí. Ela “precisava alimentar o bebê, senhora” e não seria possível ela mamar no peito pois a) estava cansadinha (só dormia), b) não podia sair do oxigênio. Começou um pesadelo. Eles iam dar FÓRMULA para a minha bebê que horas atrás estava saindo naturalmente lindamente do meu ventre! Fórmula!! Industrializada! O primeiro alimento dela!! Não podia aceitar nem  acreditar. Meu marido não sabia o que fazer. Fiz ele ir atrás da Pediatra e explicar para ela que não trabalharíamos com fórmula, doutora. Mas de novo: não teve jeito. Ele fez ela me ligar no quarto e explicar ela mesma pois ele não podia ser o porta-voz da tragédia.

Bom, insisti que então, que pelo menos, por favor doutora, não use MAMADEIRA (um anti-cristo por vez!), e ela me afirmou que enquanto no oxigênio, seria alimentada por sonda… 🙁 Pelo menos não era um bico artificial antes de ela testar meu peito!
E eu podia ir tirar leite para eles darem!!! “Não, senhora, o banco de leite está fechado (era domingo à noite), mas amanhã você pode sim.” – eu estava em uma missão de honra!

Me conformei com tudo e aceitamos passar a primeira noite longe do nosso bebezinho lindo. No dia seguinte de manhã, à todo vapor e ainda cheia de adrenalina do parto, levantei e fui direto ver minha pequeninha, que emoção! Explicaram que haviam colhido alguns exames dela, para voltar lá para conversar com a Pediatra que iria cuidar dela. Aí fui direto ao Banco de Leite, peito estufado – VIM TIRAR LEITE, MOÇA!

Ela me deu todo o script sobre colostro, leite intermediário, massagens, empedramento, mastite, bicos, não bicos, conchas, e lá fomos nós na bombinha, aquela coisa horrorosa, minha primeira experiência de “extração de leite”, que horror! Não saiu nenhuma gota. Fiquei mal. E agora. Mais um pouco de fórmula. Ai meu Deus. Mas vamos em frente que atrás vem gente.

Terminando as 24 horas do oxigênio, a Pediatra fofa (não a do dia do parto) explicou em detalhes os exames colhidos e os resultados. Eu tinha streptococcus B positivo na gestação. Não tivemos tempo de aplicar o antibiótico intra-parto. Isso nem sempre resolve e a medida é sempre tratar o recém-nascido. Os exames dela indicaram alterações e *possível sinal de infecção*. Infecção em recém-nascido é coisa séria. Não pode correr risco. “Teremos que dar o antibiótico nela por *PELO MENOS* 7 dias, senhora”. Agora sim pára que eu quero descer. – incluo aqui uma matéria sobre um casal que perdeu o bebê para o streptococcus B que divulga a necessidade de exame e detectar alterações de infecção para tratamento imediato na maternidade.

De novo – o que fazer senão aceitar? Quem ia colocar o *seu* na reta e correr o risco de não tratar para previnir? Minha prima pediatra explicou que bebês não demonstram infecção como crianças grandes. Então nesse caso só ía-se perceber quando a coisa já estivesse preta. Aí é uma internação muito séria com risco de vida. E aí? Quem vai bancar? Eu que não. Então, aceitamos. Ok, respira fundo, é algo que temos que passar. Mas e a amamentação?? – “Você pode vir amamentar quando quiser, senhora, de 3 em 3 horas.” (Hmm, lá se foi meu “livre demanda”) Eu também podia tirar leite no banco de leite, e o que eu tirasse era enviado para alimentar o bebê. Na ausência de mãe em pessoa ou leite materno, seria ministrado fórmula, no copinho, sob meu pedido de evitar a mamadeira a todo custo (já tinha sido orientada sobre a confusão de bicos). Ok. Lá vamos nós.

Determinada, aos prantos com a minha equipe de parto expliquei o que estava acontecendo e a minha GO me receitou tudo que tinha direito para descer o leite. Spray nasal de ocitocina, gotas de algodoeiro da Weleda e até remédio para enjôo.
E eu indo religiosamente no banco de leite, vendo poucas gotinhas de 1ml, 2ml, quando muito 5ml saindo, frustrada, aquilo não era suficiente! Ela ia tomar fórmula! Socorro!

Peito Empedrado

Dali dois dias meu peito virou uma PEDRA. Todo aquele leite veio e parou. A enfermeira do banco de leite insistia na massagem e eu com medo. Até que não teve jeito. Tive que voltar lá com o rabo entre as pernas pedindo a massagem. E ela fez. E eu tive que aplicar todas as técnicas de controle de dor de parto porque FOI COMO DOR DE PARTO.

O peito duro, cheio de bolas empedradas, vermelho, febril, que não podia nem encostar de dor, sendo apertado como uma massa de pão. Visualizou?

Leitinho da Mamãe

Mas aí o leitinho começou a sair. Nesse dia da massagem torturante, saiu 15ml!!! Que alegria! Ainda não era suficiente, mas e o meu orgulho ao chegar lá na UTI para dar de mamar à minha filhinha e receber o copinho com meu leitinho? (Junto, é claro, com o anti-cristo – a fórmula rs).

E a fórmula virou realmente o anti-cristo. Queria sabotar a fórmula. Chegava lá para amamentar “no horário” e ela geralmente estava dormindo. Vinha pro colinho, que delicia! Mas ali só ficava, com o bico na boca, babando de sono. Quando dava uma acordadinha a gente tentava, as enfermeiras vinham orientar sobre como tinha que ser a pega, ajudavam a colocar a boca dela no meu peito, etc. Mas ela dormia… Se dava uma sugadinha leve de 5 minutos era muito. E tínhamos 1 hora para a mamada, quando vinha o leitinho do banco de leite e pediatria (fórmula), e após essa hora o leite seria descartado porque vence. Então era aquela hora ou nunca, sempre.

Eu tentava até o final da hora que ela mamasse no peito. Sem perceber o quanto não estava rolando, ou percebendo, mas sem ter o que fazer, ela não acordava, não mamava. E eu também não queria cortar o barato de estar com a minha gracinha gostosa no colinho. Depois de 72 horas após o parto, tive que “vazar” da maternidade e tive alta. Isso quis dizer ir pra casa, sem bebê. Depois daquele parto, depois de tudo, meu bebê! Foi muito difícil de lidar. Então era *dane-se a pega, dane-se o leite*, nesse momento eu só queria ficar com a minha bebê.

Bom, chegava o fim da hora, tinha que dar o copinho senão ela ia ficar com fome até dali 3 horas. E meu coração partia de ter que dar aquela fórmula. Ainda saía muito pouco leite materno, e no final da semana, ela já precisava de 60ml, e eu mal conseguia 20ml em cada uma das 3 sessões de ordenha no banco de leite. Tive que aceitar, mais uma vez, que ela ia tomar formula aquela semana. Mas só aquela semana.

A chegada em casa – enfim sós!

Prometi que uma lata de fórmula nunca mais entraria na minha vida, nem pela porta da minha casa jamais! Ao ter alta da maternidade, a Pediatra disse que era “bom ter uma lata em casa, só caso precise” – respondi com aquela cara de samambaia de “claro, pode deixar” *sqn*.

Na UTI minha bebê era a “naturalista” (#diferentona), que nasceu de parto humanizado na água e tomava no copinho. Me perguntavam se eu ia usar fralda de pano, e se não ia dar vacinas, e dali por diante. Então a brincadeira era que em casa a Yara ia tomar só orgânico, nada de Mc Donald’s (como eu chamava o copinho de fórmula).

E em casa, à sós, pensei, agora é com a gente. Vai ser uma adaptação, mas não vai mais ter copinho, Yara. Só nós duas. Quando você tiver fome, mamãe tá aqui. Livre demanda enfim! Aqui vamos nós!

E assim foi. Qualquer miado era peito. Peito, peito, peito e mais peito. Confiante. Sabia que todo leite é forte, que toda mãe tem leite, que o bebê no peito faz o leite ser produzido, tudo sob controle, e ainda com meus remedinhos.

Dali uma semana foi o dia da primeira visita ao pediatra. E do primeiro balde de água fria.

Nós X A Balança

Chegando no pediatra, do convênio, desconhecido, grosso, aquela experiência de “não gostei desse cara” mas “ok, faz o que tem que fazer na consulta”.

Tratou a mim, minha mãe e minha bebê sem nenhum carinho ou tato, apesar de não dizer muitas bobagens em si.

Hora da pesagem. Nenhuma expectativa, nenhuma noção da importância daquilo. Pesou ela e disse en-passant que o peso estava um pouco baixo e que ela já tinha que estar recuperando o peso de nascimento que naturalmente é perdido na primeira semana. Ela já tinha 15 dias. Me perguntou como eu estava amamentando. Expliquei que em livre demanda. Que insistia no mesmo peito por até 3 horas (conforme orientado pela Obstetriz que tinha me visitado antes naquele mesmo dia, quem também tinha dito que a pega estava correta – outro capítulo) para ela chegar no “leite gordo”. Ao que ele responde (com delicadeza nota dez): ERRADO! Era para dar 5 minutos um peito, e meia hora o outro. Pra fazer isso e voltar lá em uma semana para pesar de novo. Claro que não queria ver aquele homem na minha frente nunca mais.

A saga dos Pediatras

Entendi ali que achar um pediatra decente seria tão difícil quanto equipe de parto. Por que que tem que ser assim? Infelizmente não foi só achar o mais perto de casa na lista credenciada do convênio. Como pode uma pessoa desejar estudar tanto para se tornar um pediatra, para cuidar de crianças, e ser grosso?

Fomos em vários pediatras indicações de colegas e parentes. Melhorzinhos, acho que fomos em uns 4 em uma semana. E cada vez que íamos, pesava, o peso dela estava mais baixo.

Recuperação

Encontramos afinal um pediatra com quem tivemos muita afinidade. Um dia antes dele, o pediatra da vez (até que simpático, homeopata e etc), havia receitado fórmula para complementar as mamadas com 30ml, e um remédio para mim para aumentar a produção de leite, o Equilid. Este era um anti-depressivo cheio de contra-indicações, inclusive contra indicado para lactentes! Ele me orientou a “não ler a bula” – o que foi igual dizer “não pense em um elefante”. Lógico que li, e fiquei apavorada, não quis tomar.
Minha sogra comigo, segurando a onda do choro infinito. Não, aquilo não podia estar acontecendo. Me enganaram! Me falaram que o peito era suficiente! Que era tudo! Que estava certo! Que era só dar em livre demanda! E eu estava dando! Por quê!

Minha sogra que não amamentou nenhum dos seus 3 filhos porque “não tinha leite”. O mais velho (meu marido), diz a lenda que perdeu muito peso nos primeiros 15-20 dias, a ponto do avô do interior dizer que “esse não vingava”. Até que a avó interviu com uma bela mamadeira, regada à maizena “para engrossar”, ajudada por um aumento do furo do bico para passar o leite grosso que foi dado para salvar o menino.
Ela estava ali comigo, eu inconformada que tinha que dar mamadeira pra minha filha, e ela me ajudando a entender que era só para ajudar a recuperação dela, que isso acontece, etc. E me ensinando como dar a MAMADEIRA – o outro anti-cristo.

Admito que por muito tempo julguei minha sogra quanto a não ter dado chance ou disponibilidade para amamentar os filhos. Mas essa experiência me trouxe toda a humildade que as gerações precisam para se perdoarem – e por tabela, acho que ainda libertou o meu marido. Ver e entender como eu, que tanto queria amamentar, que sou tão naturalista em minha vida, me esforçando tanto e não conseguindo, o fez entender que sua mãe provavelmente passou por isso ou pior – pois na sua época não tinha banco de leite, consultora de amamentação, blog do Vila Mamífera e do GVA, e o bebê não espera, tem que crescer, tem que viver! Ela fez o que estava ao seu alcance e fez o que tinha que fazer!

Entendi que amamentação é como parto – no parto, claro que a gente quer o parto normal (certo?), mas algo não dando certo, o bebê precisa nascer e a mãe precisa sobreviver. Não dá tempo, ali na hora, de ir atrás da razão psicossomática que gerou aquele empecilho para o parto evoluir de forma saudável. É pra isso que existe a cesária. Pra resolver quando não dá tempo de meditar a respeito.
E a fórmula está aí pra isso também. Quando não dá tempo de resolver o que quer que seja que esteja acontecendo, pois o bebê precisa engordar, precisa crescer, precisa viver, e não pode esperar meses você se resolver.

Fórmula. Ok. Bem-Vinda ao meu lar.

No pediatra eleito, entendemos que a fórmula era de fato necessária naquele momento para fazer a bebê ganhar peso. Ele só orientou que ministrasse no copinho, em vez da mamadeira (um anti-cristo a menos). Confirmou que o copinho não causa confusão de bicos e é uma boa opção para esse momento de complementação.

E assim fomos. Dando o peito o máximo que desse, e no final de cada mamada, um copinho de 30ml de fórmula.

E fomos pesando, e ela foi engordando! Que alegria! Um grande peso saiu das minhas costas (e foi para as coxinhas dela). Ganhara tempo para pensar, para resolver aquilo eventualmente. Assim fomos por uns 10 dias.

Ficamos animados. Pediatra fofo pró-amamentação quis testar ficar 2 dias sem fórmula. Cold turkey. Só peito. Fizemos, foi difícil, ela chorou muito mais, dormiu muito menos. Mas lá fomos nós. Pesamos 3 dias depois – não ganhou peso, não manteve – PERDEU peso. Desespero. Voltamos pra fórmula.

Consultora de Amamentação

Aí chamei de novo a Consultora de Amamentação que estava me ajudando há uns dias já. Ela insistia na relactação (ou translactação). Uma forma de complementar o aleitamento do bebê usando, em vez da mamadeira (anti-cristo) ou copinho, uma sondinha que é usada como um canudinho no bico do seu peito para que o bebê tome o complemento através do peito e continue sugando e assim estimulando sua produção de leite – algo que me preocupava também pois as mamas não estavam muito cheias sempre, e eu não via sair muito leite. Essa sondinha, só para esclarecer, é diferente da usada no seu primeiro dia de vida na maternidade, aquela ia direto ao estômago dela sem necessidade de sucção.

Foi ali que aceitamos também tomar o tal do remédio esquisito (Equilid). O próprio pediatra e a consultora de amamentação disseram que muitas mães que tiveram os seus bebês separados delas, que a produção de leite foi comprometida, tomavam. E que aliada à sondinha iria dar um “up” na minha produção. E lá fui eu.

Começamos a relactação, aliada ao remédio. E assim fomos.
Naquela semana ela continuou ganhando peso bem. Ficamos animados e continuamos.

Incógnita

Na segunda semana de relactação, porém, ela ganhou pouquíssimo (precisava a essa altura ganhar em torno de 200gr, e estava conseguindo. Mas nessa semana ganhou perto de 90gr). O que tinha sido diferente? Eu estava mais confiante e não oferecia em todas as mamadas. E nas mamadas onde ela pegava, ficava 40 minutos e só conseguia tomar 10ml dos 60ml que estava oferecendo. Achava, feliz, que ela estava naturalmente “desmamando” da fórmula, rejeitando o canudinho. Mas a pesagem disse que não. E aí fiquei mal de novo. E agora.

Hoje, em retrospectiva, sei que a técnica da relactação não estava totalmente correta. A Consultora havia me ensinado a colocar a ponta da  sonda na altura da aréola, enquanto que meses depois, uma excelente fonoaudióloga me mostrou que devemos colocar a pontinha na ponta do bico do peito (mamilo). Isso dificultava que ela sugasse o leite e ficava muito tempo no peito fazendo muito esforço e isso queimava calorias. O que ela precisava nessa hora era INGERIR O LEITE para ajudar a fortalecer e engordar ela. E não ter dificuldades para se alimentar.
– Se você tiver interesse por entender melhor a técnica, disponibilizei um vídeo no meu canal do YouTube descrevendo as opções para relactar, clique aqui (e aproveita e segue o meu canal! :))

Mais ajuda

Foi aí que a coisa começou a ficar misteriosa. Fizemos alguns exames clínicos para ver se ela não tinha nenhuma alergia, infecção urinária, etc, etc. O Pediatra orientou a voltar pro copinho pois o baixo ganho de peso podia estar ligado ao muito esforço de sucção que ela estava tendo que fazer pra extrair o leite da sondinha. E eu já estava usando um relactador profissional e tudo (esse processo pode ser feito usando sonda médica mesmo, ou usando um equipamento próprio para isso, e bem caro… – eu demonstro todos esses no meu vídeo no YouTube)

Foi aí que por um alinhamento cósmico, após postar um pedido de ajuda e acolhimento num grupo fechado do Facebook do qual eu faço parte, uma santa insistiu em tentar me ajudar. E eu já cansada dessa história, respondia as inúmeras perguntas investigatórias que ela me fazia por inbox desanimada, desesperançosa, no clima “que que essa pessoa insiste, aqui não tem esperança não”. Só que tinha. O pulo do gato que nenhum Pediatra, nem a Obstetriz, Doula ou Consultora de Amamentação tinham cogitado. Talvez porque quando me viram era só o começo. Talvez porque a Lei de Murphy fez com que no dia que me visitaram estava tudo aparentemente ok.

Podia ser o freio da língua, que estaria afetando a pega, e por consequência a extração efetiva do leite e esvaziamento bom das mamas (que faz o peito produzir mais leite). Me indicou uma fonoaudiologa. E lá fomos nós pra mais uma pessoa entrando pra saga.
A Fonoaudióloga era especializada em aleitamento materno, e muito engajada com a causa. Nos deu bastante apoio e principalmente me ajudou muito com relação à PEGA CORRETA. Essa parte que entendi como era importante, inclusive porque nessa época uma amiga, parceira de perrengue na amamentação, tinha me mandado esse vídeo da Ingrid Guimarães falando de relactação e pega correta.

Bom, a estratégia era corrigir a pega (que descobri depois de 2 meses e meio que estava errada depois de alguns especialistas terem passado batido) e ver como ela se comportava. O freio da língua foi examinado e parecia ok.
Assim como a Consultora de Amamentação, a Fono também alinhou uma estratégia de complemento com o Pediatra. Nessa altura do campeonato minha sogra saiu de cena e entrou meu marido, me apoiando muito, me acompanhando nas visitas ao Pediatra, participando das sessões com toda essa rede de apoio, me ajudando a preparar a parafernalia de sondinha, copinho… Isso porque já estávamos na fase onde ninguém mais do mundo “lá fora” entendia porque eu ainda estava insistindo. Me olhavam com aquela cara de “tadinha” ou aquele olhar de “deixa ela, o médico falou pra não contrariar”. E não gosto nada de ser vítima ou coitadinha. Sou é corajosa, persistente, resiliente e não tenho preguiça de ir atrás do que sei ser possível e meu de direito. Já consegui tantas coisas na minha vida que diziam ser impossíveis, essa dificuldade não ia me parar não. Aliás, o que essa experiência me trouxe foi um forte senso de NÓS. EU sempre tinha conseguido o que desejei, com muito esforço e determinação. Mas e minha filha? Ela também se importava? Ela também queria todo esse trampo?

Decidi tomar essa decisão por ela, pesando como mãe nova o que é responsabilidade materna pois eu tenho ciência da importância desse processo para NÓS e queria que ela tivesse isso: leite materno e todos os benefícios de mamar no peito. Julguei que ela me agradeceria no futuro por ter tido essa oportunidade, por ter sido ensinada a lutar e conseguir, colher louros do esforço e foco. Ela nasceu com a Lua em Escorpião então ia ter uma conexão forte com uma mãe que fica em cima mas que a ajuda a sair da zona de conforto.

Tudo isso sempre assistindo ela para entender se, mesmo em sua pequenice e imaturidade para tomar decisões, se ela ainda estava topando. Pois ser bebê não a isenta de ter vontades, personalidade e necessidades que devem ser respeitadas. Mas sentia que se eu ainda estava indo atrás ela ia também. E nos dias onde eu queria desistir ela parece que pegava o bastão e corria empolgada. E que enquanto isso ela precisava da fórmula para continuar crescendo adequadamente. “Me dá também o outro leitinho, mamãe, pra eu poder ficar mais forte”. E isso eu tinha que dar para ela, da forma mais responsável possivel para não perder o nosso peito.
Que todos já teriam desistido a essa altura eu ouvia sempre, ido pra mamadeira e pronto. Afinal, todo mundo conhece alguém (ou muitos alguéns) que não mamaram no peito e estão aí, “não morreram.” E também que todo mundo conhece alguém (minha sogra conhece várias e toda vez que me encontrava me falava isso, acho que com intenção de ajudar sem saber o quanto atrapalhava) que “dá peito e mamadeira e o bebê não confundiu os bicos.” Eu não tinha mais forças ou educação para explicar que a) confusão de bicos existe SIM e não é imediata, vem um belo dia e aí o desmame precoce vem sem pedir licença, b) que eu já estava passando por perrengue suficiente e trabalhando super duro pra acertar a pega no peito, que a última coisa que eu precisava era um bico de borracha no meio da equação pra dar um nó na cabecinha e língua da minha bebê, c) que o peito era meu e a boca era da minha filha então as únicas incomodadas com o trampo da sonda ou copinho deveriam ser nós e portanto, não, não é um problema para nós fazer o que os especialistas que estão ativamente nos apoiando a estabelecer um bom aleitamento materno estão nos orientando.

Mas Tem Mais

A correção ativa e persistente da pega consiste em durante toda a mamada ficar puxando o lábio do bebê pra fora, forçando o queixinho pra baixo para abrir mais a boca, é chatinho, não dá pra passar a mamada surfando as redes sociais! Mas rendeu um ganho excelente de peso na semana que seguiu. Aqui já estávamos oferecendo 90ml de fórmula complementadas no copinho (como na semana anterior que tinha rendido um ganho baixíssimo de peso).

Ficamos animados de novo. Vamos tirar 30ml com a intenção de ela buscar mais meu peito e assim estimular minha produção e meu corpo se adequar a essa nova demanda, devagar. Que agora que a pega estava correta ela estaria extraindo mais leite do peito. Oba! Estratégia de retirada da fórmula! Luz no fim do túnel! Estava feliz e já visualizava uma bancada de cozinha sem esterilizador ou lata da Danone!
Mas simplesmente ela ganhou menos peso. Ou seja, ela não conseguiu extrair aqueles 30ml a mais do peito. E agora?

Quem Sabe, Sabe

Sentia que a estratégia estava limitada. A Fonoaudiologa quis ver de novo a linguinha e na segunda visita, ela já com quase 3 meses, achou que realmente ela era um pouco limitada mas que muitos bebês conseguem mamar assim mesmo sem necessidade de cirurgia para abrir mais o freio da língua. Ok, mantivemos.
Foi na outra semana que fui passar com uma outra Pediatra, uma excelente especialista em aleitamento materno, Dra Honorina Almeida, recomendada pelo grupo de apoio à amamentação que estava frequentando na própria Casa Curumim, onde ela atende. Já a conhecia de uma palestra que ela tinha dado na Casa Moara que eu tinha assistido ainda grávida sobre amamentação.

Consulta caríssima, só particular. Mas certeira. Ela ouviu todo o relato (esse mesmo que vocês estão lendo), e a examinou com muita assertividade. Foi olhar o freio da língua. Sabia pegar com prática, foi rápida e precisa. O freio da língua a impede de sugar corretamente e extrair leite suficiente. A cirurgia para soltar o freio da língua leva 1 minuto e quando feita por um profissional experiente nesse tipo de caso, não sangra, cicatriza rápido e o bebê já pode mamar em seguida. Com essa língua ela nunca vai conseguir mamar direito.

Eu sabia que aquele era o diagnóstico correto. Não só por ter sentido tanta confiança nas décadas de experiência da Dra. Nina. Eu podia sentir. Ela se esforçava tanto, há tantos meses, e não mamava como os bebês “normais”. Eu sabia que ela não estava conseguindo e não era por falta de insistência. Eu concordava plenamente. Meu marido reticente pois somos totalmente contra invasão cirúrgica sem necessidade. Mas eu sabia que aquele era o caminho. A língua presa ainda podia causar dificuldades com a fala no futuro e ela NÃO CONSEGUIA EXTRAIR O LEITE DO PEITO como deveria ser. Isso era um problema pra nós duas! ESSE era o problema! Fazia todo o sentido.
Lá fomos nós pra Odonto Pediatra que ela indicou, super experiente nesses casos, já tinha feito esse procedimento centenas de vezes. Outra profissional excelente, assertiva, cheia de conhecimento, nos deu uma aula de como a língua é importante para o desenvolvimento do bebê, e como mamar exigia dela, e todos os benefícios de mamar no peito e como estávamos de parabéns por ter chegado até ali. Ela já estava com 3 meses, esse processo geralmente é identificado e feito no primeiro mês quando o bebê ainda está aprendendo a mamar, eu na última das esperanças, ela nos assegurando que ao passo que isso ia dar condições para ela mamar direito, ela tinha poucos casos de sucesso com bebês com mais de 3 meses pois a maioria das mães já desistiram nessa fase, e o bebê já criou um padrão muscular na língua de sucção errado, e que teríamos muito trabalho com a Fono para a ajudar a reaprender a mamar (de novo) e usar músculos que estavam flácidos na língua por ela não ter tido condições de usar antes.
No grupo do Facebook outras mães tinham feito, e disseram sentir diferença já na hora. Estava animada. Vamos lá!

A cirurgia realmente levou 1 minuto, com anestésico em gel tópico, sem sangue, nada demais. Mas chorei muito. Graças a Deus meu marido me acompanhou e segurou ela. Eu e ele chorando, com dó do nosso bebê, frustrados em ter que passar por tudo isso – “só” para conseguir mamar?
Ficou essa reflexão muito forte por dias. Será que todo esse esforço vale a pena?! Será que ela quer isso?!

Minha sogra quando soube que faríamos o pique do freio quase se atirou embaixo de um caminhão. Era como se estivessemos fazendo ela sofrer sem necessidade. Tentei explicar que isso se faria necessário mais tarde quando começasse a falar também, e a cirurgia de língua em uma criança maior é muito mais dolorida e sofrida.

Tivemos mesmo que ponderar se era a escolha certa. Mas para nós ficou claro que era pelos seguintes motivos:

– temos plena ciência que mamar no peito traz benefícios infinitamente maiores que leite artificial a partir de uma mamadeira com bico de borracha, não só do ponto de vista nutricional (que em termos básicos a fórmula atende com certa satisfação), mas imunológicos, hormonais, emocionais, de desenvolvimento facial que também interferem na postura, suprir a necessidade de sucção (que quando não suprida entra na chupeta, um problema à parte que também optei por não ter, e que também tive que ouvir pitacos que não fazia mal – quando sabe-se que não é legal), etc.

A Bioquímica do Leite Humano

– Minha bebê AMA o peito e eu AMO dar de mamar pra ela. Ou aprendi a amar. No começo achei um terror, porque não estava dando certo. Mas comecei a ver toda a magia da coisa, quando via ela virar os olhinhos de prazer sugando, segurando meu dedo com a mãozinha, relaxando e dormindo depois da mamada… Nós duas queremos isso. E o freio da linguinha dela era o que estava impossibilitando o nosso sucesso.

– Mesmo se desistisse e desse a mamadeira dali em diante, eu ainda queria dar o peito! Pra acalmar, pra ninar, pra aconchegar, pra passar segurança e carinho. Então se já ia dar o peito, por que não alimentá-la enquanto o fazia?

– E finalmente, já tínhamos chegado até aqui, sem perder o peito apesar DE TUDO, não queria morrer na praia. Dali só podia melhorar.

Um mês depois da cirurgia, voltei pra esse texto, que como o leite materno, evolui com o tempo. De pouquinho em pouquinho ela foi melhorando, não foi uma diferença da noite pro dia, o que me trouxe frustração e vontade de desistir muitas vezes. Mas hoje, olho ela mamar com muito mais sucesso do que há um mês ou dois atrás. Hoje damos conta de boa sem o complemento, mesmo que eu ainda esteja dando.

Vou contextualizar a questão central do nosso problema de amamentação – o baixo ganho de peso dela.

Minha filha nasceu com 3,125kg, ótimo peso. Mas em vez de kilos, vamos falar de percentis do famoso gráfico da WHO, este aqui:

238cf681a765870ae0679edfe33b236b.jpeg

Basicamente, essas linhas coloridas significam percentis, onde o peso do seu bebê se posiciona no gráfico lhe diz quantos % dos bebês saudáveis estão nessa faixa de peso.

Minha filha nasceu com 3,125kg e isso a colocava um pouquinho abaixo da linha verde do gráfico, no percentil 41%. Isso quer dizer que 41% dos bebês saudáveis dessa idade tem esse peso. Ou seja, excelente e na média. Na verdade qualquer posição no gráfico indica que o bebê está saudável, e pode ser que ele esteja saudável fora do gráfico, mas deve ser acompanhado de muito perto pois não está legal.

Após 25 dias de vida, ela foi de 3, 125kg e percentil 41% para 2,670kg e percentil 0,3%. Ou seja, zero bebês saudáveis nessa idade com esse peso (nas estatísticas). Ela estava bem, não estava doente, mas precisava muito crescer, ganhar massa, se desenvolver.

Ela ficou no percentil 0,3% a 0,5% até os 3 meses. Muito magrinha, sempre na luta, cada grama era uma vitória, e tudo isso uma grande tensão. Cada pontinho no gráfico abaixo era uma pesada. Eu tinha que levar ela pesar toda semana, às vezes mais de uma vez. Isso não acontece com todo mundo. E dando formula para ela continuar indo em frente, mas regulando a formula ao mesmo tempo para não secar minha produção. Foi muito difícil.

Abaixo o gráfico dela, hoje já com mais de 7 meses. Vejam que a partir dos 3 meses ela começou a engordar adequadamente e recuperar o peso saudável. Quando entrou pro gráfico, com 4 meses, quase fizemos uma festa. Estava no percentil 3%, e pra mim, gorducha! Mas ainda magérrima comparada com 97% dos bebês saudáveis. Mas ela estava saudável, graças à Deus. Só precisava de massa. Nessa altura ela ainda usava muitas roupas de recém nascido. E assim foi indo. No mês seguinte, com 5 meses, já estava no percentil 10%! Dois dígitos! Que sonho! Com 6 meses estava no percentil 20%, e hoje, com 7 meses e meio vos escrevo como mamãe orgulhosa de um bebê bem rechonchudo do percentil 34%!

weight chart.png

Além do pique no freio da língua, vieram os exercícios fonoaudiólogos. A nossa primeira Fono não tinha muita experiência com a reabilitação depois dessa cirurgia, e os exercícios que ela tinha passado não estavam dando certo, e a bebê só chorava, fechava a boca quando eu chegava perto de trauma de eu ficar colocando o dedo na boca dela. Gostamos muito dela e não por questionar sua competência, mas por urgência tivemos que buscar mais apoio.

Aí passamos com a Fonoaudióloga da Casa Curumim, uma profissional com décadas de experiência no assunto e extremamente assertiva. Já havia feito mais de 1000 casos de freio de língua, dos quais uns 300 com a Odonto Pediatra que fez a cirurgia. Ela adaptou técnicas tendo em vista a situação e passou exercícios que a bebê pegou na hora e cada dia víamos progresso. Também baniu o copinho para complementar, pois com a língua ainda restrita, ela não pegava o leite do copo com a língua, e eu tinha que “despejar” na boca dela, ela estava engolindo muito ar, tinha muitos gases ainda, e já estava também traumatizada do copinho, chorava muito para tomar o complemento, e eu chorava junto pois precisava desesperadamente que ela tomasse.

A Teresa (Sanches – a Fonoaudióloga), insistiu (e eu muito relutante pois já tinha tentado) com a sonda na relactação. Eu já queria mandar ela embora, estava cansada, frustrada e muito próxima de desistir. Mas ela insistiu e me mostrou e PLIM! Deu certo. A Yara pegou muito melhor a sonda da forma que ela tinha me mostrado (com a ponta da sonda na ponta do bico do peito). Também usamos um vidrinho menor entre os seios (onde apoiamos o frasco com o leite) que fez a experiência mais confortável.

Pra contextualizar: antes da cirurgia ela levava quase uma hora pra talvez conseguir sugar 60ml, agora ela mamava 120ml em 10 minutos.

(Dica: o frasco usado foi o de remédio da Weleda, que é de vidro com tampinha de plástico e pode ser esterilizado e excelente para armazenar leite materno. Tem 50ml)

relactação.png

Além disso, a Dra Nina (Pediatra) orientou a não economizar na fórmula nesse momento, vamos fazer os exercícios para que ela finalmente consiga fazer uma boa pega e extração de leite, e alimentá-la para que engordando, ela fique mais forte, com bochechas mais cheias que também ajudam a extração do leite. Nessa altura passamos então a dar 120ml 4x ao dia. Como o frasco só cabe 50ml, eu preparava 120ml em uma mamadeira rasa e puxava com uma seringa o leite e ia injetando nesse frasquinho.

Resultado e Conclusões

Queria só publicar esse post quando tivesse “vencido”, ficado sem o complemento, só no peito, ela ganhando peso lindamente. Mas não foi esse o resultado. Mesmo assim estou aqui, publicando minha história na esperança que ajude outras mães como eu, que só queria saber que aquilo não acontecia só comigo, que não estava “quebrada” ou incapaz de nutrir minha filha.

Tentamos mais muitas vezes ir reduzindo a fórmula para ver se a minha produção se adequava. E dá-lhe tirar leite na bombinha, e tomar remédio, etc. A única coisa que acontecia era que ela ganhava menos peso. Tudo bem, já estávamos fora da zona de perigo, mas tanto o Pediatra principal dela (que continuou nos acompanhando e dando todo o apoio para as nossas decisões), quanto a Dra Nina (Pediatra especialista em aleitamento que indicou a cirurgia) insistiam que, ao passo que era desejável reduzir a formula e aumentar o leite materno, era mais importante naquele momento permiti-la recuperar o peso para não comprometer o seu desenvolvimento. E eu, pela primeira vez vendo as coxinhas dela encher, as costelas menos aparentes, as roupinhas da idade dela servir, e ela parecer um bebê normal, me realizava em ver ela forte, alerta, crescendo e não quis parar isso por conta do ego do meu leite.
Ela estava tomando leite materno. E bastante, pois estava ganhando bem mais peso. A Dra Nina estimou que para o peso e idade dela ela naquela altura precisaria de 1 litro de leite por dia. Ela ingeria de fato mais ou menos 400ml de fórmula por dia, então uns 600ml era meu (mesmo só saindo 50ml na bombinha). Mas ainda precisava do outro leite – E OK. Esse leite nos salvou. Pode ser um produto menos nobre que o leite humano, mas alimentava. E nós ainda tínhamos o peito. Era isso que importava.

Todo o processo tinha deixado muito peso sobre a nossa relação. Tudo era uma luta. Decidi, quando ela estava perto dos 6 meses, aceitar que aquilo era o melhor que tínhamos conseguido – e não era pouco. E que a maternidade é muito mais que amamentar. Ter uma relação feliz juntas é tão importante quanto.

Parei de ficar na paranóia de tirar leite na bombinha, e usei aquele tempo que fazia isso para curtir meu marido depois que ela ia dormir. Era muito mais feliz e leve que dar mais 50ml de leite materno pra ela no dia seguinte.

Parei de tomar o remédio tenso que me engordou mais ainda (Equilid), e parei com a paranóia de comer que nem uma vaca de engorda para fazer leite. E notei que minha produção não mudou em nada. Emagreci e voltei a me sentir bem com meu corpo, a ter auto estima, a usar minhas roupas de antes da gravidez, a ser mulher, ser feliz.
* Descobri depois junto à Dra Nina que o remédio só aumenta a produção quando aliado a uma boa sucção do bebê, coisa que não era o meu caso, por isso o remédio não fazia muito efeito na minha produção como faz para outras mães.

Passei a usar a mamadeira indicada pela Fonoaudióloga (que é mais segura com relação à confusão de bicos) para aliviar nossa vida. Para poder dar o complemento para ela na rua sem ter todo o aparato da sonda. Para meu marido, minha mãe ou outra pessoa poder alimentar ela enquanto eu ia dar uma volta.
*Essa mamadeira é da Medela, o modelo inicial para bebês que estão aprendendo a mamar é a Haberman, e agora usamos também a Calma (ambas importadas e caríssimas):

bico-p-mamadeira-haberman-special-needs-medela-3ef.png

med.png

Hoje já iniciamos a introdução alimentar e estamos diminuindo a fórmula por conta disso. Ela come 4x ao dia, e das 4 complementadas que ela tinha por dia, hoje fica com mais ou menos 2. Quando come mais, acaba só tomando o complemento antes de dormir. E o ganho de peso continua ótimo.

Concluo, da minha história, o seguinte:

  1. Em problemas de amamentação, como de parto, alguns são facilmente ajudados com boa assistência, outros são mais complexos e podem não se resolver, sendo realmente necessária a mamadeira para alimentar o bebê. Antes de julgar a mulher que fez cesária ou que dá mamadeira, vamos lembrar que nem todos os casos é má informação ou cair “no sistema”, pode realmente ser necessário.
  2. Como me explicou a Dra Nina, o sucesso da amamentação depende principalmente de dois fatores: a boa sucção do bebê, e a boa produção de leite da mãe. Uma coisa é atrelada à outra. A minha bebê não tinha boa sucção e minha produção ficou para sempre comprometida. Ela acabou com a melhor pega que conseguiu, e eu com a melhor produção que consegui. A própria Fono comentou que há muitos casos de bebês com má pega ou língua presa que conseguem mamar e ganhar peso adequadamente porque a mãe produz MUITO leite, então é só colocar a boca ali que já vaza leite. Nunca foi o meu caso. Então toda mãe tem leite – sim, mas umas tem mais que outras SIM, o corpo humano, o metabolismo e suas funções fisiológicas não são iguais para todos, e isso também vale para a produção de leite.
  3. Nem todo mundo tem os recursos que eu tive. Sim, leite materno é de graça e vale a pena financeiramente insistir. Mas o que eu gastei com consultas, sessões de fonoaudióloga, a cirurgia, essas mamadeiras, sondas, relactador e etc daria para alimentar gêmeos com fórmula por 2 anos. Tenho sorte de ter recursos para poder ir até o fim com os melhores profissionais do Brasil no assunto, por mais que tenha demorado para eu chegar até eles. A grandíssima maioria das mulheres não tem esse privilégio, portanto precisamos ainda divulgar mais e facilitar o acesso a esses recursos se quisermos que mais mães amamentem.
  4. Pra nós valeu a pena. Hoje eu posso estar na rua, sem fórmula na bolsa e se minha bebê tem fome, consigo alimentá-la no peito. A amamentação é um momento de intimidade gostoso para nós, onde ela se acalma, adormece, se conecta, e também se alimenta. Era isso que eu não queria perder. Além dos anticorpos, hormônios e todos os benefícios alimentares, emocionais e físicos do leite materno, comprovado pela saúde de ferro da minha filha.
  5. Essa experiência me ensinou já de cara a deixar de ser “xiita” com relação a certos princípios, ou como diz meu marido, “estou mais realista que holística” ;). Nesse caso, pra mim a única opção era amamentar. Sim, é o mais saudável, indicado, etc, mas acho que fiz uma coisa muito grande e séria de algo que na verdade é bastante corriqueiro não rolar. Assim fui aprendendo que se nos vários anos que virão, algo na maternidade não acontecer como eu vislumbrava, OK também. O que mais aprendi foi a aceitar o possível, a realidade, versus o idealizado.

 

Se você chegou até aqui, obrigada por nos acompanhar na leitura. Tenho orgulho de ainda amamentar, e incentivo todas as mães a fazerem o mesmo, onde for, sem vergonha, com orgulho do nosso poder! Que esse amor líquido fique pra sempre na memória dos nossos bebês!

IMG_9431.jpg

Desjejum na praia

Social Shares

Related Articles

12 Comments

Deixe uma resposta

  • Querida( permita-me tratá-la assim), chorei e queria te dar um abraço apertado. Passei por quase tudo isso e amamentei completando com o Mc Donalds até o quinto mês. Depois da primeira mamadeira, meu bebê desmamou abruptamente das mamadas diurnas, passando a querer o mei peito somente na madrugada, mas sem o estímulo da sucção, a produção despencou. Enfim, sofri , e persisti também até o meu limite! Guardo na memória esses 5 meses em que tive meu bebê nutrindo-se de mim. O que já foi uma vitória para mim( embora ainda amargue uma frustração), pois a minha primeira filha nunca mamou no meu peito.Mamou exclusivamente meu leite ordenhado por 3 meses e depois fórmula. É difícil quando se é naturalista e principalmente a vontade visceral de amamentar. Quem sabe um dia eu me aventure com um terceiro bebê! Muito forte e importante vc compartilhar a sua história!Parabéns! A Yara tem a melhor mamãe que ela poderia ter! Sucesso pra vocês !

    Responder
    • Obrigada Carla! Grande beijo pra vocês!

  • Thais

    Parabens pelo esforco!!! estou na luta… Nao e nda facil! Estou aceitando q o melhor e o bem estar do meu pequeno….. Por mais q nossa vontade de tentar e grande! Abraco

    Responder
  • Adriana

    Olá! Emocionada com sua história… Meu bebê está com 36 dias e ainda estou com problemas na amamentação… Infelizmente por não ter conhecimento dei chupeta logo q saiu da maternidade e por falta de experiência e informação, não preparei o seio para amamentá-lo e não sabia da tal “pega correta”, achei q seria um processo natural mas hj minha angústia é não conseguir amamentar meu bebê… Na maternidade ele tomou complemento no copinho logo na primeira noite, eu ainda estava sob o efeito da anestesia, fiz uma cesárea, então perguntaram se poderia dar o tal complemento e eu concordei… No dia seguinte já o coloquei no peito e feliz da vida achei q era tudo… Ninguém me falou q deveria massagear a mamã antes da amamentação, q deveria ver se a pega estava correta e tal… Conclusão: no terceiro dia já em casa, meu seio ardia, parecia q havia um massarico ligado direto no bico…dor.insuportável qdo o bebê pegava, foram dias e noites de muitas , dores, choro, frustração…
    Já procurei todo tipo de ajuda q conheço, cremes, pomadas, conhas, massagens… Infelizmente nada resolveu… Hj ainda sinto dores e na maioria das vezes dou o leite indicado pelo pediatra (q seria somente um complemento) na mamadeira e peito raramente ofereço , estou chegando no meu limite… Estou muito angustiada, frustada, me.sentindo culpada e.uma fraca por não está conseguindo…
    Como queria amamentar meu bebê… Mas está cada dia mais difícil…

    Responder
    • Adriana, obrigada por compartilhar sua experiência. Espero que estejam mais tranquilas. Estivemos fora do ar por uma temporada durante a minha mudança de estado, mas estamos de volta. O que aprendi depois de toda essa experiência é que não devemos nos apegar tanto a “resultados” como amamentar assim ou assado. Simplismente ouça o seu coração e faça o que for necessário para o seu bebê E VOCÊ ficarem bem. Se depois de tanta luta dar chupeta e mamadeira acabar sendo o único caminho para ter paz e a sua consciência estiver tranquila com a decisão, é isso que importa. Amamentar é lindo, assim como o parto, mas se por algum motivo que foge da nossa competência não acontecer, devemos seguir a vida buscando o melhor, mas com leveza, pois nossos bebês precisam do nosso equilíbrio e presença, amor, carinho – acima de tudo.
      Um abraço forte de nós daqui, continue seguindo o Holística Realista para mais conteúdo por aí agora na nova temporada!

  • Fernanda

    Olá
    Você possui o contato da Dra Nina?
    Obrigada!
    Fernanda

    Responder
    • Oi Fernanda! Ela fica na Casa Curumim, em São Paulo, o telefone lá é (11) 3862-8312, boa sorte!

  • Melissa

    Adorei seu blog. Passei bem parecido com a amamentacao, com a diferença que não houve UTI neo, nem pique no freio, mas fiquei muuuito machucada por causa da pega errada (embora tenha parido no – tudo como – melhor hospital de sp, a enfermagem era perfeita mas não tive boa assistencia na amamentacao). Daí ao realinho da amamentacao, entrou a fórmula, a Haberman. Minha pediatra tb da Curumim indicou a fono Tereza e ela quis indicar o procedimento de imediato mas nos recusamos pq outras fonos não identificaram o freio curto e a própria Tereza identificou ajustes a fazer na ergonomia da mamada. Então pensei “vamos ajustar tudo na mamada e se ainda asim der erro, vamos pro pique”. Não foi preciso, hj meu bebê com 2 meses mama lindamente. Mas produção caiu e fico na luta, diminuindo beeem aos poucos a fórmula pra aumentar o consumo de leite do peito. Nem sei se algumndia vai rolar a amamentacao exclusiva, mas estamos indo atras dela. Queria tirar uma dúvida: qual diferença da Haberman pra Calma? Uso a primeiras masnaho ruim o manuseio e o fato de não ter tampa. Comprei a calma pela internet mas não chegou ainda e não acho a diferença entre ambas. Me ajuda?

    Responder
    • Legal, Melissa! Parabéns! A fono indicou a Calma para bebês maiores, a Haberman é para ensinar nenem RN a mamar. A Calma é mais fácil que a Haberman. Boa sorte e parabéns! Mande um beijo para o pessoal da Curumim!!

  • Nina K

    Chorei lendo seu texto. Meu bebê tem 2 meses e pesa 4 kg, sempre ganhando mais quilos, mas nunca o suficiente. Na consulta de 2 dias atrás, a pediatra pediu pra complementar com fórmula , o que meu marido e minha mãe estavam fazendo as vezes contra a minha vontade (pelo menos respeitaram em dre no copinho).

    Depois disso, me dei conta que meu menininho ainda veste roupas de RN e é mto pequeno. Me pergunto se não fiz mal em resistir, pq meu peito empedra demais (ele não mama tudo), acho ordenha a pior coisa do mundo (pq sai super pouco) e sou tida como a louca que insiste no peito quando se tem a fórmula aí que vai fazer ele engordar.

    Já chorei muito, briguei com todo mundo e ler o seu texto me reconfortou em saber que dá pra ele tomar os 2 tipos de leite. Que assim como tive que fazer uma cesárea que salvou a vida dele, a fórmula vai ser isso aí tb…

    Meu menino parece que veio ao mundo pra me mostrar que eu não tenho controle de nada. E que viver é também ter equilíbrio, né?

    Obrigada por compartilhar sua história que tem trazido acalento para tantas outras mães, como eu.

    Responder
    • Nina, foi exatamente isso que minha filha me ensinou desde o primeiro dia de sua vida! Desejo a vocês uma vida linda de muito amor juntos e unidos em família! Força e um abraço para você!

%d blogueiros gostam disto: