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A Páscoa com vivência da Pedagogia Waldorf

A Páscoa com vivência da Pedagogia Waldorf

by Holística Realista abril 14, 2017

A Páscoa para mim é uma das celebrações mais ricas espiritualmente, e que mais me conecta com o poder lá de cima dentre as várias festividades cristãs. Gosto muito da dinâmica de transformação, deixar o velho morrer para nascer o novo, e todo ano sinto que a Páscoa traz uma nova atitude para o ano que então se inicia para mim.

Nunca tratei do tema da Antroposofia e Pedagogia Waldorf por aqui, mas é um assunto que gosto muito de me aprofundar, vivenciar, e dividir.

Desde Agosto de 2016 minha filha frequenta uma escola de pedagogia Waldorf aqui em Curitiba, tinha 1 ano e 1 mês quando iniciou e como nós, se encantou com o espaço conectado com a natureza e acima de tudo, com o acolhimento e preparo da equipe de professores. Iniciou-se uma nova fase na nossa família, pois além de eu como mamãe voltar um pouco “para o mundo lá fora”, ainda aprendemos muito com a equipe e a pedagogia no dia-a-dia da criação dela.

Para colocar em contexto, cada mês na pedagogia Waldorf traz uma vivência da época específica. Isso na prática é um tema mensal, que permeia as cantigas de roda, as decorações e artes feitas na sala com as crianças, as histórias que são lidas, e os elementos da natureza daquela época – frutas da estação, e como aproveitar o que o clima oferece, como o brincar ao ar livre ao fim da tarde no verão e se recolher mais cedo quando esfria etc.
Além disso, a Antroposofia se utiliza do calendário Cristão, porém não se prendendo a uma religião ou igreja específica, e sim nas vivências – como a Páscoa, Pentecostes, São João, Natal, etc. São apresentados os valores de cada época buscando despertar esses sentimentos nas crianças.

A pedagogia Waldorf também presa muito o ritmo (ou rotina), pois como acreditamos que as crianças têm uma conexão forte com a natureza, se há ritmo se fortalece essa conexão (visto que há esse ritmo na natureza, no amanhecer, anoitecer, no calor do sol e ausência dele, etc), e isso favorece a saúde, sendo intensificado quando atrelada a estação do ano.

No caso da Páscoa, o outono convida a uma vivência mais interna, de recolhimento após um verão quente e abundante em sol. Essa transição pode ser vista na natureza quando caem as folhas, o clima e a temperatura mudam e passamos a ficar menos tempo fora de casa, e mais tempo dentro. Na escola, os professores trazem para as crianças essas qualidades, nas mesas de época que são preparadas na sala com cores da estação do outono, tecidos, elementos e símbolos.

Símbolos

Na escola da Yara, os símbolos utilizados para a vivência da Páscoa esse ano são:

  • Ovo
  • Coelho
  • Galinha e o Galo
  • Lagarta e a Borboleta (incluindo o casulo, representando o recolhimento)


 

 

 

 

 

 

 

Bom, aí logo a gente lembra da eterna questão: o que tem a ver o ovo com o coelho, e com chocolate e por que a Páscoa é assim? (rs)

Vamos lá:

O ovo representa a vida, a vida nova que vai “chocando” até estar madura o suficiente para quebrar sua própria casca e sair para a vida como um pintinho! O mesmo vale para a lagarta e a borboleta, que não são símbolos tradicionais da Páscoa comercial, mas que representam lindamente esse mesmo símbolo do ovo.

Por conta do ovo, também é celebrada a galinha e o galo, que geraram o ovo.

E o coelho? O coelho simboliza a fertilidade, pois tem uma capacidade alta de procriação.
Além disso, aprendi que na verdade o animal original era mais atrelado à LEBRE.

Alguns pontos interessantes sobre a LEBRE:

  • Quando estão sendo caçadas, as lebres se colocam na defesa da outra, se oferecem como sacrifício para proteger a outra, trazendo assim a energia da morte pela vida, uma morre para a outra viver (como Jesus fez por nós)
  • A imagem do coelho (ou lebre) fica tão viva para as crianças que elas podem sentir que realmente viram o coelho, ou a orelha, ou o rabinho do coelho durante o período de vivência ou do dia da Páscoa em si enquanto procuram os ovinhos. Dentro dela entendemos que ela está vendo mesmo, nós adultos que perdemos essa fantasia. Além disso, é como se esse coelho que ela vê e que logo some, fosse a lebre que se ofereceu para dar-lhe a vida
  • Ao contrário do coelho que já é mais domesticado, a lebre se manteve selvagem (e portanto fiel aos seus instintos)

Mais sobre o coelho:
O coelho não põe o ovo, quem põe é a galinha, então é importante também ter a imagem da galinha para mostrar de onde vem o ovo. O coelho vem trazer o símbolo de proteção da vida e fertilidade.
Aqui na vivência então o ovo é trabalhado durante a época (com pinturas e decorações), e quando estão prontos, “desaparecem”, pois o coelho veio buscá-los! Deixa um mistério e uma curiosidade inquisitiva no ar e no coração das crianças. E no Dia de Páscoa, o coelho volta com os ovos recheados de coisas gostosas (e nutritivas, de preferência!).

Outro ponto sobre o uso do coelho: é importante ver o bicho como bicho, usar um coelho em sua forma mais selvagem, sem roupas nem características humanas, pois ele é animal, não é humano, e isso é nobre. Ao usar o coelho em sua imagem mais selvagem estamos reconhecendo sua nobreza na qualidade de animal.

Com toda essa informação, vale lembrar que para crianças pequenininhas não precisa explicar esses detalhes, o que vale é a vivência que é sentida e vai sendo gravada na memória deles, deixamos a explicação para o futuro.

Atividades e Preparação para o Dia de Páscoa

É muito bacana trabalhar com a casquinha do ovo da galinha, pois essa vivência também ensina todo o processo para chegar até aquele ovo decorado.
Pode se usar até ovos de codorna, ou o ovo de galinha inteiro, e cozinhar em água com beterraba, casca de cebola, por exemplo, que irá tingir a casca, e depois comer esse ovo cozido da cesta do dia de Páscoa.

Também é bacana (mas mais trabalhoso), tirar o que tem dentro para usar a casca.
Faça um pequeno furo na base do tamanho de uma uva passa (use os ovos para cozinhar durante o período que antecede a Páscoa e vá guardando as cascas).
Depois, faça bem a higiene com água e vinagre, puxando e tirando a “pelinha” de dentro e enxaguando bem. Com essa higiene até c
rianças com intolerância à ovo não terão problemas se pegarem essas cascas (já foi testado na escola por anos e nunca houve problema).

Na escola nós vamos enviando as cascas para as atividades em sala, e as professoras colocam numa cesta e esse ano pintaram com água, vinagre e papel crepom. As crianças escolhem as cores e vão colocando o papel crepom na casca, como se estivessem colocando uma “roupinha no ovo”. Às vezes quebram as cascas pois gostam de apertar, mas ok, faz parte da experiência (por isso é bom ter várias rs).
Esse papel f
ica ali até ir ressecando e solta da casca, fazendo cair a “roupinha”. Essa experiência leva dias, e é para as crianças uma verdadeira mágica. Ela vai vivenciando todo o processo. Até que o coelho “passa” para pegar essa cesta e leva, deixando o mistério 🙂

Nada impede de pintar os ovos com tinta guache ou outras também! Veja aqui algumas idéias que separei no Pinterest.

No Domingo de Páscoa, o coelho então vai trazer de volta os ovinhos previamente pintados, agora recheado com algo que seja de acordo com a alimentação antroposófica (estamos usando passas e castanhas). 

Caça aos Ovos no Dia de Páscoa

O objetivo da caça aos ovos é estimular nas crianças a busca pelo novo. Isso ajuda a formar a coragem e o investimento em buscar algo novo e cheio de vida.

É interessante que não seja dito à criança “vamos caçar os ovos”, mas montar algo mesmo que simples, que estimule a sua curiosidade e surpresa, por exemplo: deixar um ovo visível (seja no quintal ou pela casa, para quem mora em apartamento), permitir que a criança se surpreenda ao encontrar esse ovo e sugerir “será que tem mais? Vamos procurar?”.
Outro ponto legal é não fazer disso uma competição de “quem pegou mais ovos”, para valorizar o seu próprio tempo nas suas conquistas e não desmerecer as dos amigos que estão participando dessa busca juntos, curtir cada ovo como uma surpresa.

Outras Idéias de Decoração

Além dos ovos para serem ofertados para as crianças, você pode fazer o “ovo soprado”, que fica como um ovo inteiro só que vazio.
Eu nunca tentei fazer, mas me ensinaram a fazer um furinho de um lado e outro furo do lado oposto bem pequeno (como de uma agulha) e assoprar em um deles para expelir o ovo de dentro pelo outro furinho.
Aí pode pegar um palitinho com um fiozinho amarrado, colocar o palitinho no buraco e o palitinho fica lá dentro, assim você pode pendurar o ovo como um móbile de enfeite.

E o Chocolate?

Por que fele az parte da Páscoa? Porque é gostoso, porque teve quaresma e a idéia era se privar de algo prazeroso para a carne para se conectar com o espírito, e porque é assim hoje em dia, vende, e eu também estou aceitando um ovo da Koppenhagen! 

(Brincadeiras à parte, crianças abaixo de 2 anos não devem comer chocolate, parece óbvio mas aqui vai um pouco de informação.)

 

Conta pra mim o que achou e qual vai ser a sua idéia Realista para aplicar essa vivência na sua casa!

Aqui mandei todas as cascas de verdade para a escola, então comprei umas branquinhas de plástico que podem ser reutilizadas todo ano, vou rechear de uvas passas e castanhas que ela gosta, e fechar com um adesivo embaixo (pode usar também forminha de brigadeiro com cola Pritt). Vou esconder pela casa, e se estiver motivada fazer umas pegadas de coelho com Maizena ou algo do tipo usando um bichinho que ela tem aqui ou emprestar a pata da Tequila (a gata) rsrs.

Boa Páscoa e melhor ainda, bom renascimento para todos nós!

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