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6 Coisas da Maternidade que Aprendi Sendo Mãe de Gatos Primeiro

6 Coisas da Maternidade que Aprendi Sendo Mãe de Gatos Primeiro

by Holística Realista setembro 06, 2015

Andressa&theMiniFav-42Meu marido diz que eu aceitei a maternidade no momento em que decidi adotar um gatinho.

Cresci sem ter contato algum com gatos, e como de praxe (aliás percebi que este é um pensamento brasileiro), “não gostava de gatos pois são traiçoeiros e não são brincalhões”.

O Brasil é uma cultura onde o cachorro ainda é disparado o animal de estimação preferido, com um número estimado de 52 milhões de cães como pets, contra 22 milhões de gatos nas casas brasileiras.

Esse número é bem diferente na Europa, onde o gato é bem mais próximo ao cão, com aproximadamente 8 milhões de gatos para 9 milhões de cães na Grã-Bretanha por exemplo.

Eu atribuo essa diferença cultural primeiramente à necessidade da família que o animal possa atender. Na Europa, as casas são pequenas, e o problema de pestes como ratos nas grandes cidades é ainda muito grande. O gato combate essa praga, e se adequa bem à lares pequenos. Já no Brasil os cães por muito tempo foram adotados como “cães de guarda”, e aqui a segurança é um problema infinitamente maior que o de ratos. As casas são maiores, e o clima mais ameno para curtir os passeios diários com os cachorros, coisa que o gato dispensa (dá muita preguiça sair todo dia sob a neve e clima frio europeu para que seu pet faça suas necessidades. O gato não precisa disso.)

Em Londres, onde morei por mais de 10 anos, houve uma época em que o apartamento onde morávamos foi invadido por ratos. Isso é apenas  uma questão de tempo por lá, pois estima-se que em Londres (ou Amsterdam e Paris, principalmente) você está sempre a menos de 2 metros (isso mesmo!) de um rato… Já foi muito pior e muito tem sido feito para combater a praga. Casas célebres como 10 Downing Street (casa do Primeiro Ministro britânico), ou o Palácio de Buckinham tem gatos famosos que são “contratados” para mantê-las livres de ratos.
Conheça mais sobre esse empregado peludo:
Larry, o gato do Primeiro Ministro britânico

Apesar de tratar com veneno o meu apartamento, os ratos estavam habitando dentro das paredes do prédio, e subiam para os apartamentos vizinhos, entrando nos apartamentos através de orifícios minúsculos (ratos tem ossos moles, e podem passar por um buraco tão fino quanto o tubo de uma caneta!). Aquilo se tornou um problema infernal. Eles morriam embaixo do piso e o cheiro era horroroso!
Com o problema se agravando, todos os amigos insistiam que a solução era ter um gato.

Não tinha condições nem vontade de ter um gato naquela época. Pensei em “emprestar” um gato, pois também descobri que o simples cheiro de ter um gato na casa já afasta ratos dali. Mas aí descobri que gatos são extremamente territoriais e detestam sair de suas casas. Demoram alguns dias para se adaptar ao novo território e não terão confiança imediata nos humanos dali ou no território para sair caçando de cara.

Bom, felizmente nos mudamos de lá (por outro motivo) logo depois do incidente. O novo lar era perfeito para um gatinho: piso térreo, jardim com árvores, mato e sol, janelas com parapeito profundo onde colocamos almofadas para o soninho perfeito do felino.

Fazendo um adendo importante: na Europa, e falo sobre a Grã-Bretanha em particular com bastante propriedade, as ONGs QUEREM que o gato tenha acesso à rua. Só deixarão você adotar um gato para ficar em apartamento que não é térreo, com tela, etc priorizando gatos com FIV (HIV Felino) ou algum outro motivo que faça com que ele não possa se misturar com outros gatos. A cultura lá é de proteger os gatos sim, sempre castrá-los, e fecha-los em casa durante a noite, quando a maioria dos problemas como atropelamentos, brigas e etc ocorrem. Mas durante o dia é incentivado que eles possam sair, explorar, se exercitar, tomar sol, e entrar em casa quando desejarem, sempre com um acesso bom como uma portinha de gatos, a qual eu tenho e um dia desses vou escrever um post só sobre ela, que é excelente.

É lógico que pedem para evitar avenidas movimentadas, ou seja, se você mora de frente a uma avenida super movimentada, fechar a frente da casa e incentivar que o gato use os fundos, um jardim bacana, etc. E assim sempre foi com a minha Tequila. Sei que aqui no Brasil a pratica é totalmente condenada e entendo. É uma cultura que não respeita ou aceita gatos de vizinhos andando no seu telhado, e ainda acontecem muitos horrores como envenenamentos e afins. Respeito essa posição, mas minha gata foi criada com acesso ao externo e não consigo trancá-la aqui no Brasil, então montamos um esquema que contarei em outro post.

Para confirmar que não estou inventando essa das ONGs inglesas defenderem a unhas e dentes acesso à rua para gatos, segue informação do Cats Protection, grande ONG protetora de gatos de onde adotei a minha aqui.

Já deu pra entender que eventualmente  fiquei encantada com a ideia de ter um gato, principalmente depois de conhecer o Jake, que era o gato “publico” da vila onde morava. Ele tem uma história interessante que serve para outro post. Mas lá fomos nós no abrigo e fomos escolhidos pela Tequila (na foto). Muito amor e risadas depois, aqui estamos.

Ela me ensinou a ser mãe, ou começar a ver como seria ser mãe.
Aqui listo os pontos que aprendi sendo mãe dela; só quem tem bicho sabe que é uma maternidade sim. Lógico que a gente tem que falar baixinho pra não ter que encarar os olhares reprovadores de quem está em volta, rs. Ser mãe de humano é bem mais trabalhoso, mas a essência é parecida.

1) Ser acordada

Ter um gato é ser acordado para brincar, abrir a porta, ou completar a ração, além de demandar cama compartilhada. A qualquer hora da noite, principalmente, quando são mais ativos.

Ter um bebê é igual, mas o que você terá que fazer antes de voltar a dormir demora mais e é mais intenso.

2) Cortar unhas

Pessoalmente eu achei cortar as unhas da minha bebê mais fácil que cortar as da gata. Na verdade desisti de cortar as da gata, missão impossível e nem me incomoda tanto.

 

3) Dar atenção e carinho

Gatos não são como cachorros mas quando querem atenção e carinho não te deixam fazer outra coisa. Vão subir no teclado do seu computador, no seu colo, até você não ter opção.

Os bebês fazem isso usando recurso sonoro: o choro, que tem o  mesmo efeito, você não tem opção.

4) Levar ao veterinário/pediatra

Uma função que você evita ao máximo devido ao stress da viagem.

Colocar um bebê na cadeirinha do carro pode ser mais fácil que colocar um gato na caixa transportadora, mas o protesto é na mesma intensidade. Tem os dias que eles entram sem entender o que está acontecendo e ficam relativamente calmos, mas assim que percebem do que se trata, começam os ataques de ansiedade e querer sair.

As jornadas até o veterinário/pediatra são repletas de palavras acalentadoras afirmando que está tudo bem e que não há necessidade do miado/choro, que “já estamos chegando” e dali por diante.

Ao chegar ao veterinário/pediatra, o que você mais quer é ser atendido de uma vez para acabar logo com aquilo.

5) Cuidar com a sua alimentação e se preocupar com o seu bem-estar

Uma vez responsável por uma vida, você se empenha para garantir a saúde e bem-estar do seu filho/pet. Se dedica incondicionalmente à amamentação e controle de peso/crescimento assim como pesquisa e testa diferentes tipos e marcas de ração. Não poupa gastos. Se o Pediatra ou o Veterinário recomendaram uma marca de fórmula ou ração especial você vai atrás e compra sem olhar o preço. O mesmo serve para remédios e tratamentos de algo que esteja incomodando seu filho ou Pet.

6) Fazer amigos com outros “pais” para o bem estar e aceitação do seu filho

Quando nos mudamos pro Brasil, a preocupação com a adaptação da Tequila aqui foi enorme, além da preocupação com a mudança e viagem em si. Procuramos uma casa que atendesse as nossas necessidades  e as dela também. Ao nos mudarmos, fizemos toda uma apresentação da Tequila aos vizinhos, conhecemos os outros pets da vila, e explicamos que ela os visitaria de tempos em tempos e como afastá-la se a visita fosse indesejada. 3 anos depois a Tequila é praticamente um mascote da vila, todos a conhecem, até visitantes, e a tratam com muito carinho e respeito!

O mesmo se faz com um filho. Você vai querer conhecer todas as mães dos outros bebês, e fazer todo o meio de campo para que a receptividade das pessoas com o seu filho seja positiva e carinhosa. E você faz isso socializando com pessoas com quem você normalmente não se esforçaria para fazer amizade.

Essa é a maternidade!

Fontes:

http://www.pfma.org.uk/pet-population-2014/

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2015/06/brasileiros-tem-52-milhoes-de-caes-e-22-milhoes-de-gatos-aponta-ibge.html

http://www.bbc.com/news/magazine-20716625

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3 Comments

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  • *_* eu amo meu bebê peludo!

    Responder
  • Me vi 100% no seu post! E meu gato ainda é FIV+ e paraplégico. Precisa usar fraldas e tomar vários remédios todo dia! E quando ele fica doente tenho que fazer malabarismo para conseguir cuidar dele, já que “licença para cuidar de pessoa da família” não abrange pets… 🙁
    outra coisa que aprendi é a dor da impotência. Nada me partiu mais o coração na vida do que ver ele sofrendo, sem entender o porquê do sofrimento e eu não poder fazer nada para tirar aquele sofrimento dele… Pegaria para mim essa dor, se pudesse!
    Estou me preparando para engravidar logo e estou morrendo de medo…. Mas o seu post me ajudou a ver que se todo trabalho, cansaço e gastos com o Cheddar são infinitamente recompensados com o amor, olhar e gracinhas dele, com filho deve ser assim também, né?
    Gratidão.

    Responder
    • É isso aí, Mari!! É mais uma adição à família e a gente cuida com amor então nem sente!!! Boa sorte!! Beijos

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